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quarta-feira, 7 de abril de 2010

UMA LIÇÃO DE DOR E ESPERANÇA

UMA LIÇÃO DE DOR E ESPERANÇA
Enterro de Azul emociona no Rio.Garoto venceu a violência e a doença

MÚSICA NO ADEUS AO VIOLINISTA DO AFROREGGAE

Amigos transformaram saudade e tristeza em música no adeus ao pequeno violinista Diego Frazão Torquato, 12 anos. O integrante da orquestra do AfroReggae foi lembrado pelos colegas com a melodia de ‘Asa Branca’ de Luiz Gonzaga, emocionando as 400 pessoas que estiveram em seu sepultamento ontem à tarde, no Cemitério de Inhaúma. Três secretários de estado acompanharam o cortejo.
A homenagem a Azul, apelido do jovem, repetiu a cena que o fez famoso e sensibilizou todo o País: Diego tocou violino aos prantos no enterro do coordenador da ONG, Evandro João da Silva, assassinado num assalto no ano passado. “Meu artista, que da favela encantou o mundo, foi embora, tocar na orquestra do céu”, lamentava, sem segurar o choro, o pai do integrante mais querido da orquestra, Telmo Frazão Torquato, 45. Ele segurou o violino do filho na hora do enterro. Diego morreu sexta-feira de leucemia aguda no Hospital de Saracuruna, em Duque de Caxias.
O secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, disse que foi ao velório homenagear um amigo: “Um parceiro que lutava pela paz. Pelo simples olhar, pelo sorriso ou pela lágrima, ele demonstrava ser um menino muito especial”. Os secretários de Saúde, Sérgio Côrtes, e de Educação, Tereza Porto, também foram a Inhaúma consolar a família.
Muito abalados, a mãe do músico, Elenita Frazão, 37, e os irmãos dele, Priscila, 14, e Tiago, 21, precisaram ser amparados por parentes e amigos o tempo todo. Fiéis da Igreja Evangélica Restauração, da qual a família toda faz parte, confortaram-nos. Longe dali, mais de 100 pessoas deixaram mensagens na página de Diego no Orkut, site de relacionamentos na Internet. Lá, o menino franzino que se sentia forte se descrevia como “simpático, saliente, bonito e de Jesus”.
“Mesmo sofrendo muito na vida (aos quatro anos, sobreviveu a uma meningite), meu filho foi um exemplo, amado até por quem nem o conhecia”, consolou-se Telmo. Fragilizada pelo câncer no cérebro descoberto recentemente, Elenita causou comoção ao desabafar. “Deus me deu Diego e agora Ele o levou. Mas a minha família não se acabou, só começou”, repetia.
Abraçada aos adolescentes da orquestra de cordas, Priscila pediu, chorando, que eles jamais se esqueçam do irmão: “Ele amava muito esse grupo. Tocava com o coração”. “É impossível esquecer. Aliás, ele será nossa maior inspiração de agora em diante”, respondeu Matheus Lourenço, 14, um dos melhores amigos de Diego. Pouco antes do sepultamento, mais música: entre choros e soluços, ritmistas do AfroLata batucaram em ritmo de maracatu. A percussão terminou com o grito de “Diego do AfroReggae!”. Às 14h45, sob salva de palmas, o pequeno artista Diego saiu de cena, para sempre.

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